Google Street View Brasil no Jornal da Globo
Chega ao Brasil, em 6 meses, serviço que permite passear pelas ruas sem sair de casa
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Passear por cada esquina do mundo sem sair de casa. Essa tecnologia já existe em vários países e vai chegar ao Brasil em seis meses. Não sem alguma polêmica.
Dá para viajar sem sair do lugar. Dar uma passadinha na Times Square em Nova York. Ver aquela loja escondida em uma rua em Paris, conhecer Barcelona. Visitar o entorno do Big Ben em Londres, o mundo está ao nosso alcance. Virtual, claro! A ferramenta para transitar pelas cidades foi criada há dois anos e é uma extensão do ‘Google Mapas’ criado em 2005.
“A tecnologia te permite que você faça basicamente o cruzamento de duas informações: fotografias que simulam a visão do ser humano para todos os lados, para cima, para baixo, mais uma base de dados que vai te dar aonde estão localizados aquelas informações. Quando isso é cruzado e colocado em um mapa, ele te dá a perfeita identificação do que é que tem naquela rua, do que é que tem naquele local. Se você estivesse olhando para cima, para os lados, para qualquer parte”, explica o Diretor Geral do Google Brasil, Alex Dias.
Mais de 150 cidades já podem ser vistas pela internet. Agora é a vez do Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo. Com uma tecnologia semelhante a essa, que fotografa as ruas em 360 graus, o internauta vai descobrir detalhes desses centros urbanos do Brasil. Como a vida na Avenida Paulista. Neste ponto, dá para ver que a locomotiva financeira do pais é a eterna terra da garoa.
Vemos a arquitetura dos arranha-céus e do Masp, Museu de Arte de São Paulo. O objetivo é revelar a cidade e não as pessoas. Por isso o rosto de quem passa não é identificado.
O esforço para preservar a identidade de cada um, mas será que desforcar o rosto e as placas dos carros é suficiente? A nova tecnologia traz um velho embate: mais vale o direito privado a imagem ou o direito publico a informação?
Em Londres, as imagens de um rapaz bêbado, vomitando na sarjeta e de um marido saindo de um sex shop causaram polêmica e processos, e foram retiradas do programa.
“A partir do momento que uma imagem para milhões de pessoas expõe você em uma situação íntima vexatória, ridícula, o direito te garante a possibilidade de pleitear uma indenização, um ressarcimento. Desde que ele esteja em um lugar privado e não público”, explica o advogado e professor, Ivan Luís Marques da Silva.
Para o promotor de justiça, Rogério Sanches Cunha, a novo programa pode ter uma utilidade diferente de mero lazer. “É um instrumento que vai servir inclusive à investigação. Temos casos já relatados em outros países que o Google Street serviu para prender criminosos reconhecidos pouco tempo depois da prática do delito”, afirma.
30 carros como este equipados com câmeras farão fotografias de milhares de ruas das três cidades brasileiras. Em uma vila inglesa, um dos automóveis foi barrado por moradores indignados que vêem o programa como quebra da privacidade. Mas também tem gente que até se reúne, faz festa, vai às ruas exatamente para sair do anonimato e ter a imagem registrada e depois imortalizada para os computadores do mundo inteiro.
Obrigado: Gustavo Barriviera
